Antes eu achava que esperar o ônibus, que só passava de 30 em 30 minutos era muito. Que um encontro com uma amiga não deveria passar dos 10 minutos de atraso. Que um xícara de capuccino no microondas parecia demorar bem mais que os 2 minutos suficientes.
Eu, a ansiosa, esperei 91 dias por algo que, pela primeira vez, não pude ter o controle que sempre gostei de ter.
O começo
Um consulta marcada para o dia 25 de agosto no HRAC Centrinho de Bauru, que fica cerca de 8 horas de viagem de Ubatuba. Arrumei uma mala simples para o Joaquim, alguns papéis e fomos rumo ao nosso destino, seguindo nosso dever e nosso coração.
O inesperado
Durante a consulta, a pediatra me informou que o Joaquim deveria ser internado por dificuldade respiratória. Procuramos uma pousada, ligamos para nossos vizinhos e pedimos que nos enviasse uma mala com algumas roupas. Cérebro mal funcionava nesse momento…
A solidão e a companhia
Meu marido teve que voltar para nossa cidade e fiquei hospedada numa espécie de albergue, oferecido pelo próprio hospital. Sozinha, numa cidade desconhecida e dividindo um quarto com várias pessoas desconhecidas. Com o tempo, criei vínculos com pessoas que nunca esquecerei. Quinze dias depois, mudei-me para uma pousada, e recebia visitas mensais do marido e familiares.
Os sustos
Joaquim apresentou dentro de algumas semanas um quadro de obstrução respiratória grave. Teve que ser internado às pressas, entubado na UTI e fazer uma traqueostomia. A médica, Dra. Rita, um amor de pessoa e a quem muito me tranquilizou, veio em dar a notícia que eu deveria em preparar para qualquer coisa. Meu mundo caiu, mas decidi manter o pensamento que tudo aquilo não era nada mais que uma fase. A cirurgia correu bem e, antes do esperado, aproveitaram para fazer a queiloplastia (reconstrução do lábio com fissura).
A quase alta
Perto de voltar para casa, já recuperado da cirurgia, Joaquim teve infecção, comum em pacientes que permanecem muito tempo em hospitais. Mais uma vez entubado. E lá se vão mais 15 dias de antibióticos para combater a infecção.
O dia mais que esperado
Após 3 meses, o dia da alta finalmente chegou. Chamamos uma UTI móvel e ele iria para casa, mesmo ainda precisando de torpedo de oxigênio. Era o começo de uma nova fase.
Joaquim, antes e depois da cirurgia
Mães (e pai) e profissionais do Centrinho.
E o veredicto de tudo? A vida precisa bem mais de três meses para podermos dizer que ela é injusta. Por aqui, é um dia de cada vez, e os dias são longos, viu? Cada passo é uma comemoração interna, pessoal e motivadora.
“E nossa história
Não estará, pelo avesso assim
Sem final feliz…
teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás… apenas começamos”
”

































